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10 acontecimentos do mundo automóvel que não deixarão esquecer 2015

O ano 2015 está a terminar, mas para a indústria automóvel é só o começo. Exemplos disso, um carro sem condutor que nem a polícia sabe como multar, um Porsche de quatro lugares puramente eléctrico, a invasão dos SUV às ‘grifes’ de luxo e uma reinvenção forçada para o (agora) segundo maior construtor do mundo.

31 dezembro 2015

A Google em condução autónoma à medida dos 'geeks'

Quando, em Setembro, um polícia norte-americano viu um automóvel em velocidade demasiado lenta numa rua californiana, a congestionar o tráfego, deu ordem de paragem. Esta foi a primeira infracção às regras da estrada conhecida de um carro de condução autónoma da Google (apesar de já ter havido vários acidentes, sempre a baixa velocidade, porque o Google autónomo não ultrapassa os 38,6 km/h). O caso ficou por ali, porque a legislação ainda não determina quem deve ser autuado, caso ninguém vá ao volante. E no caso do pequeno citadino desenvolvido pela divisão X da Google, não haverá mesmo volante, nem acelerador, nem travão – excepcionalmente, nas unidades que andam em testes, eles estão lá, mas são retrácteis e o humano que se senta à frente, à esquerda, no que é tradicionalmente o lugar do condutor, só os deverá activar em caso de perigo. Este é o futuro do mundo automóvel, segundo a interpretação da Google, que há vários anos vem testando a solução da condução autónoma, adaptando modelos existentes de fabricantes como a Lexus e a Toyota. Para a espécie de panda sobre rodas que é o Google autónomo, poderá ser escolhida a Ford como fabricante. Não se pense, contudo, que a condução autónoma é coisa apenas de 'geeks' das tecnológicas, porque mesmo os construtores tradicionais, como a Nissan e a Mercedes-Benz, também têm já a rolar as suas propostas futuras que prometem revolucionar o automóvel.

A invasão dos SUV ao segmento do luxo

Cada um à sua maneira, mais do que só mais um SUV para o segmento de luxo, tanto o Bentley Bentayga como o Jaguar F-Pace (na foto) são a confirmação da importância deste tipo de automóveis também para os construtores ‘premium’. Neste nível das “grifes” automóveis, a Porsche já se tinha aventurado, e com grande sucesso, nos SUV, com o Cayenne e depois o Macan. O F-Pace será concorrente, precisamente, do Macan, na classe dos SUV desportivos de luxo. Mais acima, o futuro Maserati Levante, que poderemos vir a conhecer já no Salão de Genebra em Março, bater-se-á contra o Cayenne. Já o Bentley Bentayga, revelado em Setembro no Salão de Frankfurt, e com a base das futuras gerações do Cayenne e VW Touareg, antecede a esperada chegada do Rolls-Royce Cullinan, este sobre a plataforma que poderá surgir num futuro BMW X7. O Cullinan é resposta do grupo BMW ao Bentayga do grupo Volkswagen.

Rei morto, rei posto… e também "morto"

Num ano impensável na cúpula da Volkswagen, a luta de poder que culminou no afastamento do histórico Ferdinand Piech da presidência do grupo, no primeiro semestre, foi o preâmbulo de uma crise maior que se viria a revelar no segundo semestre e que perdurará durante, pelo menos, o ano 2016. Em Abril, aos 78 anos de idade e após duas décadas na liderança da VW, o neto do criador do Beetle (Ferdinand Porsche) saiu da presidência após perder um braço de ferro com Martin Winterkorn. Winterkorn acabaria por durar no cargo só até Setembro, mês em que se soube que o grupo Volkswagen adulterou emissões dos seus veículos diesel para os tornar menos nocivos aquando dos testes feitos pelas autoridades. Após perder mais de um terço do seu valor em bolsa, o grupo alemão já recuperou de parte dessa derrocada, mas a sua estratégia diesel teve de ser invertida. E em termos de reputação para si e para os diesel, não se sabe até que ponto vão os danos. Agora, como já anunciou o substituto de Winterkorn, Matthias Müller, o futuro está nos híbridos e nos eléctricos (assim será a próxima geração do VW Phaeton), com novas baterias para estes e autonomia estendida a várias centenas de quilómetros. O próximo ano para aquele que deverá ser o segundo maior construtor mundial – a confirmarem-se em Dezembro as travagens nas vendas, na ressaca do escândalo das emissões, e o atraso que isso trouxe na corrida com a Toyota – será também de rectificações nos motores diesel adulterados.

Renovação na Autoeuropa

Apesar de ter mais potencial de interesse para o “país automóvel” que para o “mundo automóvel”, a fábrica portuguesa, que exporta para vários continentes, teve um último trimestre agitado. Por um lado, a confirmação da sua continuidade com um novo modelo, feita pelo próprio presidente da companhia, com quem o então ministro da Economia, Pires de Lima, falou a propósito do escândalo das emissões. Por outro, o nome do novo director-geral, que substitui António Melo Pires. Miguel Sanches virá, em 2016, do México, onde foi vice-presidente executivo de produção e logística na fábrica da Volkswagen. Conhecedor da Autoeuropa, onde trabalhou durante anos e chegou a ser director-geral de produção entre 2009 e 2011, Sanches sucederá a Melo Pires, que segue para vice-presidente da produção da marca alemã para a América do Sul.

'Roadster' mais vendido do mundo torna-se minimalista

O descapotável de dois lugares ('roadster') mais popular do mundo recebeu nova geração. Originalmente lançado em 1989, foi sendo renovado, até à actual quarta geração, em 1997 e 2005 (em 2009 também teve uma alteração substancial). Numa política de emagrecimento, o MX-5 – ou Miata, como se designa em alguns mercados –, tornou-se mais pequeno até que o original, e o motor de entrada na gama encolheu para 1,5 litros. Sobre a base deste Mazda virá também um outro nome com história, o Fiat 124 Spider.

Land Rover Defender chega aos 2.000.000 antes do seu fim

Enquanto se espera pelo Defender do século XXI – o que poderá acontecer em 2018 –, o “quadradão” do século XX chegará ao fim da sua vida, após quase sete décadas de comercialização. O último mês de produção será Janeiro, mas a notícia que muitos receavam receber chegou finalmente este ano, aquele em que a marca lançou a exposição dos dois milhões de unidades vendidas. Isto, numa altura em que o Defender, criado em 1948 pelos britânicos como alternativa ao norte-americano Jeep, já nem podia ser vendido nos EUA. Além de tratar as normas ambientais como apenas um pequeno pedaço de papel no seu caminho, o Defender é barulhento, desconfortável e uma quase nulidade nos testes de segurança. Até na Europa, mais permissiva que os EUA nas emissões, teve, há uns anos, de trocar um conceituado motor criado internamente (Td5) por um de quatro cilindros da Ford Transit (ainda a marca pertencia aos norte-americanos, que depois a venderam aos indianos da Tata), Mas nada disso impediu o Defender de ser um clássico da primeira metade do século XX que, sem alterações de monta em desenho e no espírito puro e duro, perdurou até ao século XXI, ao longo do qual deixará saudades.

Batalha pela liderança dos destinos da Renault

Em Abril, o Governo francês, que no passado recente viu desaparecer o comando da PSA – Peugeot/Citroën para mãos chinesas, aumentou a sua participação accionista na Renault para tomar as rédeas na assembleia-geral que poderia aumentar o poder da Nissan na aliança franco-japonesa. Os franceses detêm 43,4% do capital dos japoneses, que por seu turno têm 15% dos primeiros, mas sem direitos de voto, situação que a Nissan estará a tentar reverter. Paris preparou-se para essa eventualidade e subiu a sua participação de 15,01% para 19,74%, de modo a melhor aproveitar a lei que permite que um accionista que o seja há mais de dois anos tenha o dobro dos direitos de voto. A decisão criou um fosso entre o Estado e Carlos Ghosn, o brasileiro que em 1999 assumiu a presidência da Nissan e a tirou da pré-falência, e que já neste século chegou a presidente da Renault-Nissan – onde teve como número dois o português Carlos Tavares, que acabaria por sair e chegar a presidente da PSA. Há dias, Ghosn, que deixará o cargo de CEO em 2016, afirmou que para o seu lugar pretende ter duas pessoas, um presidente por cada uma das marcas. A aliança está segura, disse Ghosn. Ver-se-á, nos próximos capítulos desta saga em que o salvado (Nissan) passou a salvador, sendo já o maior contribuinte para os lucros do grupo.

Ferrari lançada na bolsa

Foi um dos IPO (oferta pública inicial) do ano, cobrindo as paredes de Wall Street com o "Cavallino Rampante". Em Outubro, o grupo Fiat Chrysler Auto fez o lançamento da marca desportiva em bolsa a 52 dólares por acção (já chegaram aos 56,75 e cotam agora a 46,75) e arrecadou mais de 800 milhões de euros na operação. Entretanto, os dois maiores accionistas, a Exor – companhia de investimento da família Agnelli – e Piero Ferrari, filho do fundador da marca, assinaram um pacto para que, juntos, discutam posições a tomar nas assembleias gerais. Após a separação da Fiat Chrysler, a Exor terá aproximadamente 23,5% da Ferrari, equivalente e 33,4 dos direitos de voto, e Piero Ferrari 10%, equivalentes a 15,4% dos direitos. O acordo, com duração inicial de cinco anos, antecede o lançamento da Ferrari em Milão, já em Janeiro.

O Porsche eléctrico e a renovação dos “poluidores”

O Mission E é o Porsche que a administração do grupo Volkswagen pretende utilizar como uma das provas de que o futuro do grupo é verde, e não negro como o fumo espesso que cobriu a reputação da Volkswagen AG após se descobrir a fraude das emissões. O modelo foi apresentado em Setembro, no Salão de Frankfurt – ainda não tinha sido espoletado o escândalo das emissões – e teve luz verde para a produção ainda antes do final de 2015. Na fábrica de Zuffenhausen (sede da marca), onde o grupo Volkswagen anunciou há semanas que investirá 1.000 milhões de euros e criará mais de 1.000 novos empregos, os trabalhadores aceitaram mesmo uma redução salarial e aumento das horas de trabalho, noticiou a Reuters, de modo a se tornarem competitivos perante os colegas de outra das unidades de produção da marca, em Leipzig. Com quatro lugares, o Mission E colocará, a partir do final da década, a Porsche como rival directa da Tesla. Também neste ano, a Porsche revelou o renovado 911 e antecipou o lançamento das novas gerações do Boxster e do coupé de si derivado, o Cayman, ambas com uma nova designação: Porsche 718. E ao lado do número virá o nome Boxster ou Cayman.

Ano de grandes lançamentos nos super-desportivos

De Itália, Inglaterra, Japão e EUA surgiram cinco novos colossos desportivos da indústria automóvel. Ferrari 488, Ford GT, Lamborghini Aventador SV Roadster, Honda NSX e McLaren 675LT deram-se a conhecer este ano. Somada, a sua potência supera os 3.000 cv. O “cavallino rampante” mostrou este ano as suas variantes coupé e descapotável, esta designada Spider, aquela GTB. Na Ford regressa o nome GT na terceira reinterpretação do conceito de super-desportivo americano (na foto). Um carro que procurará recuperar a aura do original, datado de há meio século, quando Henry Ford, furioso por não conseguir comprar a Ferrari, mandou criar um ‘muscle car’ à imagem do italiano. Outro transalpino, que tal como o Ford GT foi apresentado no ano que termina e será lançado no que se aproxima, é o Lamborghini Aventador SV Roadster, no qual foi colocada a insígnia de especial cariz desportivo Super Veloce (SV). Do Japão vem a nova geração NSX, agora em híbrido, com três motores eléctricos e um V6 a gasolina. Com um destino mais condizente com este tipo de características, os McLaren 675 LT e 650 LT Spider foram desenhados para as pistas, ainda que com homologação para estrada. Se fosse possível somá-los, este quinteto de automóveis com velocidades perto dos 330 km/h quebraria a velocidade do som.

Fonte: Económico