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Continental desenvolve sistema de vidros inteligentes

A Continental vai apresentar no Consumer Electronics Show (CES) em Las Vegas, entre 6 e 9 de janeiro de 2016, um sistema de vidros inteligentes para automóveis que podem ser escurecidos através do toque num botão.

30 dezembro 2015

O controlo inteligente do vidro (do inglês Intelligent Glass Control) utiliza películas especiais que são inseridas no vidro e que alteram a sua transparência através de sinais elétricos.

“O escurecimento seletivo e gradual dos vidros laterais e traseiros, bem como de partes do para-brisas, não só oferece um aumento considerável do conforto para os passageiros, como torna a condução mais segura”, explica Andreas Wolf, diretor da unidade de negócio de Carroçarias & Segurança da Continental. Um exemplo típico é o sol baixo no horizonte. Hoje, quando isso acontece, a mão do condutor vai instintivamente do volante para a pála de sol. “Como consequência a visibilidade é prejudicada e existe uma breve diminuição no controlo do veículo”. No futuro, situações como esta podem ser detetadas antecipadamente e as janelas podem ser escurecidas automaticamente antes que esta situação ocorra.

Menos emissões e maior eficiência

Ao usar estas películas, a radiação solar pode ser reduzida de forma mais eficaz do que com outras tecnologias. “Isto significa que podemos manter o calor fora do veículo e reduzir significativamente a temperatura no interior”, explica Wolf. A unidade de ar condicionado pode assim ser mais pequena, mais eficiente em termos de energia e muito mais leve em termos de peso. Além disso, o peso adicional das pálas de sol e cortinas mecânicas é poupado, com efeitos positivos no ambiente. “Os nossos cálculos mostraram que as emissões de CO2 são reduzidas em cerca de quatro gramas por quilómetro graças a estas medidas, aumentando assim a autonomia de veículos elétricos em cerca de 5,5%“.

Além da diminuição do calor no interior, o escurecimento também aumenta de forma significativa a privacidade. “Se o veículo está estacionado, as janelas escurecem automaticamente, para que o interior do automóvel não possa ser visto a partir do exterior”.

O sistema também abre novas opções aos designers. De acordo com Wolf, as superfícies dos vidros podem ser prolongadas, não sendo necessário cobrir mecanicamente certas áreas. A película disponível ainda tem um brilho ligeiramente azul, mas no futuro a Continental espera ter uma gama alargada de cores, abrindo novas possibilidades de design. Também poderão existir outros efeitos, do acoplamento de efeitos de luz através de recuperação de energia até funcionalidades touchscreen.

Partículas alinham-se com a corrente

As películas em que as partículas integradas podem ser alinhadas quando é aplicada corrente elétrica e que podem ser usadas para o escurecimento pretendido da janela já estão disponíveis no mercado há algum tempo. Até agora, porém, esta tecnologia apenas era usada nos tejadilhos panorâmicos de carros de gama alta. Os engenheiros da Continental estão a demonstrar num veículo de teste a ativação inteligente desta tecnologia de partículas suspensas também nas janelas laterais e traseiras e no pára-brisas. Devido a requisitos legais, no entanto,o novo sistema só pode ser para já instalado na zona do pára-brisas correspondente à área das palas para o sol.

Esta tecnologia de película está pronta para produção e é baseada em partículas integradas, que se organizam de forma aleatória quando não existe energia e escurecem a janela a partir do exterior, mantendo a transparência a partir do interior. Se existir corrente elétrica, as partículas alinham-se de forma paralela, para que a janela se torne permeável à luz em ambas as direções. A ligação ao sistema do veículo permite que as janelas se iluminem automaticamente quando se aproximar dele com uma chave ou um smartphone," diz Wolf.

A película é ainda bastante dispendiosa para os veículos de gama média com grandes áreas envidraçadas. No entanto, devido a novos desenvolvimentos promissores em aplicações iniciais na área móvel, espera-se que os preços desçam rapidamente. Existem alternativas a esta tecnologia de película, baseadas por exemplo em polímeros de cristal líquido ou eletrocromismo. As mais recentes utilizam a capacidade das moléculas e dos cristais de alterarem as suas propriedades óticas sob a influência de um campo elétrico ou de um fluxo de corrente. Esta tecnologia já está implantada no carro de forma a escurecer o espelho interior e o exterior e, assim evitar efeitos de brilho. A desvantagem em superfícies maiores é a grande quantidade de energia necessária para alcançar tempos de comutação curtos.

O controlo é o mais importante

Não importa qual é a tecnologia que prevalece, já que todas necessitam de ser controladas eletronicamente. O know-how essencial está no software e a na ligação inteligente ao sistema do veículo. Andreas Wolf: “Atualmente, resta apenas saber quando chegará o vidro inteligente. Na Continental usamos o nosso know-how para todo o sistema e podemos, portanto, integrar as funções desejadas nas nossas unidades de controlo eletrónico. Aqui ajustamos os algoritmos para que o comportamento da janela ofereça a máxima segurança e conforto ao condutor, ao mesmo tempo que diminui os níveis de emissões. O aspeto de todas as janelas é otimizado com uma reação inteligente a situações de mudanças de luz, bem como a compensação automática de temperatura e efeitos do envelhecimento”.

Fonte: AM