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Oficina foi cenário para remake de quadros renascentistas

É um facto que a arte que fascina todos os amantes de automóveis é mais ou menos parecida ao esborratado de borracha que se irradia alcatrão fora durante um drift. Mas houve quem fosse mais longe…

28 outubro 2015

Pois bem…houve quem quisesse meter os escapes a expetorar cultura e usasse uma oficina mecânica como cenário para recriar alguns dos famosos quadros do Renascimento. Sim. Leram bem.

Pinturas como a Mona Lisa e a A Última Ceia de Leonardo da Vinci, O Nascimento de Vênus de Botticelli são só alguns exemplos que fundaram um espírito forjado de ideais novos na pintura Renascentista. Não podemos recriá-los com óleo semissintético de motor (pelo menos ainda ninguém se lembrou disso), mas podemos posicioná-los com uma oficina mecânica como pano de fundo. E deve ter sido esta a ideia de Freddy Fabris…

Fabris é um fotógrafo que nasceu em Nova Iorque, mas que cresceu pelas ruas de Buenos Aires, na Argentina e há mais de 20 anos que trabalha com retratos e imagens conceituais. A sua ideia brilhante mais recente chama-se Renaissance, que consiste em reproduzir algumas das originais pinturas do Renascimento. Por esta altura já adivinham qual foi um dos cenários escolhidos.

Em declarações ao Huffington Post, Fabris refere que sempre quis galardoar pinturas renascentistas, mas recriá-las apenas como fotografias não seria o suficiente.

“Eu queria respeitar a estética das pinturas, mas precisava de incluir uma pegada conceitual que adicionasse uma nova “camada” às obras originais. Tirá-las do seu contexto original, mas ainda assim manter a sua essência. Por acaso acabei por encontrar uma oficina antiga no centro-oeste dos EUA, e isto foi o que deu início à série. O lugar implorava para ter algo fotografado ali, e lentamente as ideias começaram a assumir os seus lugares.” | Freddy Fabris
Fabris escolheu três das mais emblemáticas pinturas: A Criação de Adão de Michelangelo, A Lição de Anatomia do Doutor Tulp, de Rembrandt e a já citada Última Ceia de Da Vinci. A composição básica das cenas mantém-se fiel, mas os elementos mudam drasticamente.

Na Criação de Adão, ao invés de observarmos Deus a criar o primeiro Homem, podemos ver um mecânico erudito a passar uma chave de fendas para um possível aspirante à profissão. O simbolismo é forte, é como se a chave não fosse a única coisa que estivesse a ser trespassada, mas também o conhecimento de vários anos a virar motores. Mas esta subjectividade de interpretação deixamos entregue à vossa imaginação…

Já na Última Ceia, o remake precisou de um resize e de deixar alguns parafusos na caixa: a mesa é definitivamente mais apertada e faltam três apóstolos, mas o resultado não deixa de ser sensacional. Reparem na roda atrás da cabeça de Jesus, a desempenhar na perfeição o papel de coroa de espinhos. O artista foi mesmo até ao mais ínfimo detalhe.

Por último, mas não menos lustrosa, temos A Lição de Anatomia do Doutor Tulp, de Rembrandt. Na obra original e como o próprio nome indica, temos uma aula de anatomia ministrada por Nicolaes Tulpdo a um grupo aprendiz de médicos (diz a história que a cena é verídica e aconteceu em 1632, época em que só era permitida uma dissecação por ano e que o corpo deveria ser preferencialmente de um criminoso executado). Na nova versão “máscula”, o objeto em estudo multiplica-se e são mil e uma peças de automóveis.

Fonte: RA