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Quem é que afinal conduz do lado certo: nós ou os ingleses?

Espadas, conquistas, guerras e uma questão de honra. São vários os motivos que conduziram o mundo a circular em sentidos opostos.

27 outubro 2015

Os ingleses dizem que circulam do lado certo da estrada, nós também. Afinal de contas, nesta disputa quem é que tem razão? Serão os casmurros dos ingleses ou a maioria do mundo?

Porquê circular pela esquerda?

A circulação pela esquerda remonta à era medieval, quando a circulação a cavalo se dava pela esquerda para deixar a mão direita livre para manusear a espada. No entanto, mais do que uma regra, era um costume. Para acabar com as dúvidas, em 1300 o papa Bonifácio VIII determinou que todos os peregrinos com destino a Roma deveriam manter-se do lado esquerdo da estrada, para organizar o fluxo.

Esse sistema prevaleceu até o século XVIII, altura em que Napoleão inverteu tudo. Dizem as más línguas que era por ser supostamente canhoto. A tese de ser para facilitar a identificação das tropas inimigas é mais consistente. As regiões dominadas pelo imperador da França aderiram ao novo modelo de tráfego, enquanto o império britânico permaneceu fiel ao sistema medieval. Era o que mais faltava, os ingleses a copiarem os franceses. Nunca! Uma questão de honra.

Os pilotos de Fórmula 1 medievais, que é como quem diz “os condutores de carruagens”, também usavam o chicote com a mão direita para espicaçar os seus cavalos, enquanto seguravam as rédeas com a mão esquerda e, por isso circulavam pela esquerda para evitar magoar os viandantes. Toda uma palete de histórias que encontramos repetidas aqui e acolá. Portanto, não tenham a infeliz ideia de perguntar a um inglês porque é que ele conduz pela esquerda! Correm o risco dele vos empanturrar os tímpanos de argumentos “histórico-aborrecidos”.

Países com circulação pela esquerda

Ora…não vamos bater mais no Reino Unido. Há outros “culpados”. O facto é que atualmente circula-se pela esquerda em 34% dos países do mundo. Na Europa temos quatro: Chipre, Irlanda, Malta e Reino Unido. Fora da Europa, os “esquerdinos” são maioritariamente antigas colónias britânicas que agora fazem parte da Commonwealth, embora haja excepções. Fomos “aos Descobrimentos” para vos apresentar uma lista mundial:

Antiga e Barbuda, Austrália, Baamas, Bangladesh, Barbados, Botsuana, Brunei, Butão, Dominica, Fiji, Granada, Guiana , Hong Kong, Índia, Indonésia, Ilhas Salomão, Jamaica, Japão, Macau, Malásia, Malawi, Maldivas, Maurícias, Moçambique, Namíbia, Nauru, Nepal, Nova Zelândia, Quénia, Quiribati, Paquistão, Papua Nova Guiné, Samoa, São Cristóvão e Névis, São Vicente e Granadinas, Santa Lúcia, Singapura, Sri Lanka, Suazilândia, África do Sul, Suriname, Tailândia, Timor-Leste, Tonga, Trindade e Tobago, Uganda, Zâmbia e Zimbabué.

Durante o século XX, muitos países que circulavam pela esquerda passaram a conduzir pela direita. Mas houve também quem optasse pelo caminho inverso: circulava-se pela direita e agora circula-se pela esquerda. É o caso da Namíbia. Além disso, há ainda aqueles países com fortes contrastes culturais, como acontece em Espanha, que tiveram uma divisão normativa, até que se impôs definitivamente a circulação pela direita.

E se, de repente, decidissem mudar a norma de circulação instalada num país?

No meio deste banho de História e Geografia manuscrita, há finalmente uma fotografia que vale mais do que mil palavras e que ficou para a posteridade. Em 1967, o parlamento sueco instaurou a mudança de sentido de circulação para a direita, sem consideração do voto popular (82% votaram contra). A imagem retrata o reflexo do caos que se gerou em Kungsgatan, uma das principais ruas do centro de Estocolmo. Nela, observam-se dezenas de veículos dispostos como se de um jogo do galo se tratasse e centenas de mirones a circular lá pelo meio, numa anarquia tal que chega a ser patético.

Um ano mais tarde, a Islândia seguiu os passos da Suécia e adoptou a mesma medida. Hoje em dia, como é impensável para nós voltar a conduzir pela esquerda, é igualmente ofensivo para o Reino Unido pensar em abandonar a sua tradição ancestral.

 

Fonte: RA